O LUGAR NA GEOGRAFIA

 

Siliane Nunes da Silva
Professora de Geografia formada pela Universidade Federal de Alagoas.
https://orcid.org/0009-0003-3275-3488
E mail: siliane.nunes@professor.educ.al.gov.br

O lugar é o espaço vivido”.

A apropriação do espaço como forma de alienações/ desalienações na luta entre cotidianidade e história, no continente árido e petrificado na produção do espaço abstrato (DAMIANI, 2019, p. 158). O senso de pertencimento compreende uma forma de consciência e ação usada para superar a ambiguidade do que se aceita como normalidade, importante para não confundir o plano do vivido com o senso comum. O espaço é formado por uma série de fatores ocorridos ao longo do tempo.


A escadaria Todos Pela Cidade está localizada na ladeira da Catedral

           O espaço não é uma coisa separada de nós, nele projetamos nossa personalidade e a ele somos ligados por limites emocionais. O sentido do mundo não deixa de ser o sentido que eu dou ao mundo, mas nos termos de uma subjetividade transcendental, do eu que tem o mundo como visado, numa inclusão intencional. Isso é o que chamamos
de geograficidade (DAMIANI, 2019, p. 154).

É possível compreender as mudanças que vão surgindo, de curta duração, frutos de novas estratégias econômico-políticas com derivações espaciais importantes.

Como exemplo prático de análise espacial recente temos o que a cidade de Maceió vivenciou com um dos maiores desastres socioambientais urbanos do Brasil, caracterizado pelo afundamento do solo e a consequente desocupação de diversos bairros, como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto. Esse fenômeno, diretamente ligado à exploração de sal-gema pela empresa Braskem, desencadeou uma crise habitacional e socioeconômica de grandes proporções. As fortes chuvas de 2018, somadas aos eventos sísmicos ocorridos em fevereiro de 2019, atuaram como gatilhos para a intensificação dos processos de afundamento do solo, acelerando o colapso de edificações e a desestruturação das comunidades locais.

Os moradores de Maceió puderam observar e vivenciar na prática o que Ana Fani já afirmava sobre as cidades vivenciando a teatralidade das mudanças da paisagem urbana e a não dissociação da gente que lhe dá conteúdo e determina sua natureza (CARLOS,1992, p.73).

A palavra lugar remete às palavras de origem latina, localis e locus, ambas se referindo a uma posição, uma localização no espaço. É no lugar que a vida acontece (CRUZ, 2019, P. 161).

A urbanização é um fenômeno urbano que ocorre quando a população da cidade se torna maior que a população do campo. A metropolização é a expressão máxima das metamorfoses na produção do espaço (LENCIONI, 2019, p. 137), formada por redes Imateriais (conectividade) Funcionalidades (econômicas e sociais que as grandes aglomerações apresentam).

O processo de produção do espaço é social e histórico, conflituoso e contraditório. O que a gente conhece por pontos instagramáveis ou placebranding, que o prefeito tem espalhado por Maceió, processo de transformação urbana, voltado para tornar os espaços mais atrativos com uma imagem desejada e surgiu em Nova York com o monumento do nome da cidade "I♥️NEW YORK". É uma estratégia para transformar o lugar em ponto de comercialização a partir da sua identidade visual. Ainda que essa identidade tenha sido fabricada. Enquanto lia essa definição, lembrava da cadeira gigante( ou da discórdia), o marco dos corais, o balanço na Santa Amélia, em Maceió-AL. Milton Santos (2005, p. 158) define o lugar como funcionalização do mundo e é por ele que o mundo é percebido empiricamente. Na busca do lucro, o capital corre o mundo inteiro. Ele coloca uma etiqueta de preço em qualquer coisa que ele vê (SMITH,1988, p. 94).

Professor Keyllor, passeando na Orla de Maceió com o gato Milho

Mas nem sempre a personalização da cidade parte do poder público, a comunidade, muitas vezes periférica, deixa sua marca (placemaking), podendo ser benéfica na tentativa de melhorar o visual do espaço, ou como depredação do espaço público. Por tanto, o lugar é identitário, relacional e histórico. 


Referências

CARLOS, Ana Fani Alessandri. A cidade. 9. ed. São Paulo: Contexto, 2011.

CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. O Lugar-Mercadoria. IN. CARLOS, Ana Fani Alessandri; CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. A Necessidade da Geografia/ Organizado por Ana Fani Alessandri Carlos e Rita de Cássia Ariza da Cruz-São Paulo: Contexto, 2019.P. 161-1172.

DAMIANI, Amélia Luiza. O lugar e o plano do vivido. IN. CARLOS, Ana Fani Alessandri; CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. A Necessidade da Geografia/ Organizado por Ana Fani Alessandri Carlos e Rita de Cássia Ariza da Cruz-São Paulo: Contexto, 2019.P. 150-162.

LENCIONI, Sandra. Metropolização do Espaço. IN. CARLOS, Ana Fani Alessandri; CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. A Necessidade da Geografia/ Organizado por Ana Fani Alessandri Carlos e  Rita de Cássia Ariza da Cruz-São Paulo: Contexto, 2019.P. 131-139.

 SANTOS, Milton. Da totalidade ao lugar. São Paulo: Edusp, 2005.

 SMITH, Neil. Desenvolvimento Desigual. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988, p. 94.


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