E AS METODOLOGIAS ATIVAS, HEIN?
A moda agora é falar de gamificação em sala de aula e metodologias ativas, mas sempre que participo de formações e conversas aleatórias em sala de professores, me vem o pensamento que já usamos esses recursos há muito anos. Só não chamávamos assim!
As metodologias ativas ganharam destaque na área educacional nos últimos anos devido aos benefícios que oferecem para o processo de aprendizagem. Essas abordagens pedagógicas deixam o estudante no centro do processo educacional, incentivando a participação ativa, o pensamento crítico e a construção do conhecimento de forma significativa.
Percebo na fala de muitos colegas um incômodo ignorante sobre o tema e, posso até concordar que nada imposto é saudável. O que querem empurrar nas salas de aula é um padrão de jogos e dinâmicas que não cabem em qualquer perfil de educador.
Como eu disse, lá no meu artigo O QUE NÃO TE CONTARAM SOBRE SER PROFESSOR, foi justamente que cada professor tem o seu perfil, e desde que haja o compromisso com a aprendizagem, vai ficar tudo bem afinal. Mas parece que falta essa percepção aos entusiastas e idealizadores que habitam as secretarias de ensino. Ao que transparece escancaradamente a falta de compromisso com o objetivo da educação, que deveria ser a aprendizagem e não fotos bonitas e estatísticas maquiadas como prova de sucesso.
Não me leve a mal, basta cinco minutos no meu instagram ou aqui mesmo no blog para perceber que uso com muita frequência as tais metodologias ativas. Sempre usei, na verdade. Tenho até criado materiais e partilhado com colegs que se interessam por meus jogos e atividades. A grande questão aqui é que gera uma rivalidade com os que se adaptam aos novos modelos, porque já os praticam ou até mesmo porque se identificam com eles, e os que são mais resistentes ou não tem o perfil para tais métodos, gerando desconforto e comentários desagradáveis e questionáveis entre aulas e reuniões. Levando muitas vezes ao desânimo ou síndromes.
É interessante comparar discurso com a prática, por exemplo, quando somos cobrados para seguir o planejamento, mas lá na semana pedagógica ouvimos que precisamos respeitar o processo de cada aluno. E, mais, agora nos impõem alfabetização dos alunos não alfabetizados com a justificativa de recomposição da aprendizagem gerada pela pandemia, quando sabemos que a defazagem de aprendizagem começou mesmo com a bendita aprovação automática lá na década de 1990. E esquecem que nem todo licenciado está apto a alfabetização.
É tragicômico ser questionada porque meu conteúdo aplicado não está no mesmo ritmo que o colega da mesma série que a minha. Nessas horas só consigo responder " não se preocupe, o conteúdo será dado".
Não! não é possível ministrar o conteúdo abrangendo os diversos níveis de aprendizado naturais, pensar em formas de abordar para os mais variados PCDs e alfabetizar durante a aula sem comprometer os prazos. E não adianta citar os auxiliares de sala para os PCDs porque em sua maioria, estão ali só distraindo os alunos ou tirando da sala quando há inquietação. Há muito o que incluir e evoluir na inserção desses alunos em salas regulares. E a recomposição/alfabetização não pode ser construída em paralelo ao conteúdo cotidiano numa sala lotada.
Com relação ao conteúdo, a BNCC veio nos direcionar para habilidades e competências essenciais em cada série da educação básica, sendo assim, o conteúdo não é o norte a ser seguido. Por tanto, o professor não precisa ministrar conteúdo sincronizadamente ao colega. E, por isso, entendo que a dinâmica usada no novo ensino médio seja mais flexível e os professores podem escolher a sequência de conteúdos trabalhados, não necessariaente precisando seguir a sequência do livro adotado: 1 , 2, 3, 4 ao 6. A ordem não importa nesse modelo. Seguindo justamente a lógica da BNCC. Faz todo sentido, num cenário de educação levado a sério, claro! Sem considerar as mudanças de escola ao longo do ano também. Com infraestrutura e profissionais qualificados para as formações de professores. Menos portfólios e mais objetividade. Ainda ecoa em minha mente a voz de uma articuladora de ensino afirmando que o ECA poderia ser queimado. Socorro!
Pode ter ficado a impressão que eu sou contra a aprovação automática, e sou mesmo! Mas, também sou contra reprovar por reprovar. Me gera muito desconforto, colocar aquele 6 na média para alunos que nem entram em sala, ou sequer querem fazer algo durante as aulas. Portadores de deficiência ou não! Sem aprendizagem mínima, não há que se aprovar. é fato! Caio em contradição, porque não há uma solução simples para o assunto. "Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?" O aluno não pode ser penalizado pelo sistema falho e corrupto, mas o professor pode sofrer as consequências desastrosas de estar numa sala com 40 alunos desinteressados e sabendo que o mínimo esforço já basta? Sendo bem otimista na parte do mínimo.
Já estive em uma sala de aula em que alunas se recusaram a participar de um debate alegando que aquilo não era aula porque eu não havia escrito nada no quadro. Outro momento, ao convocar a direção em sala, devido a bagunça provocada por um baralho erótico, fui avaliada ali mesmo por uns 44 alunos, apontando a minha falta de paciência de chegar já mandando guardar o objeto.
E, mais recentemente, numa conversa informal entre colegas, ao observar a constante insistência em trabalhar metodologias ativas, ouvi que já estavam questionando tais metologias por promover a competitividade entres os alunos e não a aprendizagem.
Nesse contexto, a importância das metodologias ativas pode ser observada em diversos aspectos:
Engajamento dos Alunos: As metodologias ativas promovem um maior engajamento dos alunos nas atividades de aprendizado. Ao participar ativamente das discussões em grupo, da resolução de problemas e da realização de projetos, os estudantes sentiram-se mais envolvidos e motivados para aprender.
Desenvolvimento de Habilidades Essenciais: As metodologias ativas estimulam o desenvolvimento de habilidades essenciais para o século XXI, como pensamento crítico, trabalho em equipe, comunicação eficaz e resolução de problemas. Essas competências são fundamentais para a vida pessoal e profissional dos alunos.
Aprendizado Significativo: Ao envolver os alunos em atividades práticas e contextualizadas, as metodologias ativas facilitam o aprendizado significativo. Os estudantes conseguem estabelecer conexões entre os novos conteúdos e seus conhecimentos prévios, tornando a aprendizagem mais relevante.
Desenvolvimento da Autonomia: As metodologias ativas encorajam a autonomia dos alunos em seu processo de aprendizagem. Eles são estimulados a tomar decisões, definir seus objetivos, selecionar estratégias de estudo e avaliar seu próprio progresso.
Resolução de Problemas Reais: Muitas metodologias ativas, como a Aprendizagem Baseada em Projetos e a Aprendizagem Baseada em Problemas, envolvendo os alunos na resolução de problemas reais. Isso permite que eles apliquem o conhecimento teórico na prática e percebam a inspiração da aprendizagem para a solução de questões do mundo real.
Melhoria da Retenção do Conhecimento: A participação ativa dos alunos em atividades de aprendizagem aumenta a retenção do conhecimento. Ao aprender fazendo, discutindo e ensinando os colegas, os alunos internalizam melhor os conteúdos.
Fomento da Criatividade: As metodologias ativas estimulam a criatividade dos alunos, já que muitos deles envolvem a busca por soluções inovadoras para problemas complexos. A criatividade é uma habilidade valiosa para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo.
Desenvolvimento da Autoconfiança: Ao se envolverem em atividades ativas, os alunos ganham mais confiança em suas habilidades e conhecimentos. Eles se tornam mais dispostos a participar, expressar suas ideias e assumir a responsabilidade por sua aprendizagem.
Preparação para a Vida Profissional: As metodologias ativas preparam os alunos para enfrentar os desafios da vida profissional, que exigem habilidades além do mero domínio de conteúdos teóricos. Trabalho em equipe, resolução de problemas e liderança são competências valorizadas no mercado de trabalho.
Em resumo, as metodologias ativas são fundamentais para a promoção de um ensino mais efetivo, centrado no aluno e que favorece o desenvolvimento de habilidades essenciais para o sucesso pessoal e profissional. Ao adotar essas abordagens, os educadores criam ambientes de aprendizagem dinâmicos e estimulantes, nos quais os alunos são protagonistas do próprio conhecimento.
A solução para a educação está longe de ser alcançada, entretanto, é preciso seguir na batalha diária e conquistar uma vitória por vez. Aceitando os fracassos e reinventando maneiras de formar cidadão críticos e éticos para uma sociedade justa e igualitária.
Eu sou Siliane Nunes, professora de geografia da Educação básica de Alagoas.





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