NATUREZA, AMBIENTE E CONFLITO (Análise)

 

Siliane Nunes da Silva

Professora de Geografia formada pela Universidade Federal de Alagoas.

https://orcid.org/0009-0003-3275-3488

E mail: siliane.nunes@professor.educ.al.gov.br


"Não há natureza sem sociedade"(BOMBARDI, 2019, p. 203), A própria natureza transforma-se em mercadoria.

Nesse sentido, Bombardi traz uma perspectiva do capitalismo no seu lado mais violento, quando evidencia  que por trás dos avanços tecnológicos na agricultura, a chamada Revolução Verde, existem agressões , ameaças, expropriação e assassinatos contra os trabalhadores rurais.

A Revolução Verde (1970) trouxe a campanha de superar o problema da fome num momento em que a população mundial estava crescendo num ritmo muito acelerado, o pós baby boom, onde a preocupação era a escassez de alimento. Isso foi superado, e hoje, o problema da fome não é a escassez, mas o desperdício e a distribuição desigual. Sendo assim, fica bem claro que a intenção nunca foi superar o problema da fome, mas estar a serviço do capital.  Há um abismo entre o que dizem e o que pretendem.  Um fato curioso é a dupla conotação ao termo Revolução Verde, relacionada à agricultura, em contraponto à Revolução Vermelha, referente ao socialismo, numa tentativa de desacreditar  a ideia de combate à fome por justiça social.

Por trás do avanço tecnológico na agricultura existem agressões, ameaças, expropriação, assassinatos etc. Além da violência silenciosa introduzida quimicamente através dos agrotóxicos.


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De 2007 a 2014, foram mais de 1 milhão de pessoas intoxicadas.  Apresentando consequências como puberdade precoce, pêlos pubianos e mamas em bebês.

Das violências sociais e ambientais trazidas pela Revolução Verde, podemos destacar o desmatamento, incêndios, despejos, expulsões e a química.

A monocultura de soja, cana e eucalipto, principalmente na região Centro-Oeste, aumentou o uso de agrotóxico em 25% e avança para o arco do desmatamento, nas bordas da Amazônia. Evidenciando as formas como o capitalismo se desenvolve: Os produtores de agrotóxicos - EUA e UE- proíbem seu uso, mas exportam para os países da América Latina que autoriza cada vez mais o envenenamento em detrimento do fortalecimento da divisão internacional do trabalho e manutenção do lucro.

ELES PROÍBEM ENQUANTO NÓS SOMOS EXPOSTOS!


Apesar dos avanços, as formas de acumulação de capital permaneceram primitivas refletidas na expropriação de terras e violência contra os trabalhadores.

O LEMA É EXPLORAR PARA LUCRAR!

Em 2017 a Bayer e outras produtoras de agrotóxicos, lucraram cerca de 55 bilhões de dólares com o agronegócio, confirmando as formas contemporâneas de acumulação de primitiva de capital, relacionada a apropriação da terra, através da monopolização do território, onde se torna possível que uma indústria de agroquímicos mantenha-se sem cultivar sequer um único vegetal.

Os métodos biotecnológicos adoecem os ser humano e a natureza, fundamentando os conflitos geográficos. Daí a necessidade da geografia ( BOMBARDI, 2019, p. 213), quando traz à tona o debate sobre o movimento contraditório entre propriedade e justiça social, denunciando através da narrativa da concentração do capital.

BOMBARDI, Larissa Mies. Natureza, Ambiente e Conflito. IN. CARLOS, Ana Fani Alessandri; CRUZ, Rita de Cássia Ariza da. A Necessidade da Geografia/ Organizado por Ana Fani Alessandri Carlos e Rita de Cássia Ariza da Cruz-São Paulo: Contexto, 2019.P. 202-213.

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