Plano de Aula: Geografia e Poder - O Caso Braskem em Maceió

 Público-Alvo: 9º ano do Ensino Fundamental e EJA.

Tema das Aulas: Geografia, Poder e Transformação do Território: Uma Análise do Caso Braskem em Maceió.



Número de Aulas: 2 a 3 aulas (50 minutos cada), dependendo do tempo dedicado às discussões e à atividade.

Objetivos da Aula:

  • Compreender a geografia como um "saber estratégico" e sua relação com o poder.

  • Analisar o caso Braskem em Maceió sob uma perspectiva geopolítica e social.

  • Desenvolver o senso crítico sobre as transformações do território e seus impactos na vida das pessoas.

  • Estimular a participação e a expressão dos alunos sobre temas de seu cotidiano.

Recursos Necessários:

  • Quadro branco ou lousa e canetas/giz.

  • Folhas de papel sulfite (ou caderno) e canetas/lápis para a atividade.

  • (Opcional, se houver acesso): Celulares para buscar imagens ou notícias simples sobre o caso Braskem.

Habilidades da BNCC em Geografia (Ensino Fundamental - 9º Ano)

  • EF09GE01: Analisar criticamente de que forma o poder e os interesses de diferentes agentes (empresas, governos, movimentos sociais) influenciam a produção do espaço geográfico em diferentes escalas.

  • EF09GE02: Analisar a atuação das corporações e organismos internacionais e seu papel na produção do espaço em diferentes escalas, considerando os impactos socioambientais.

  • EF09GE03: Comparar diferentes interpretações sobre a dinâmica populacional e os impactos socioambientais resultantes de processos econômicos e tecnológicos no espaço geográfico.

  • EF09GE04: Relacionar as transformações do espaço geográfico com as dinâmicas da natureza e as ações humanas, considerando os impactos socioambientais e as possibilidades de intervenção.

  • EF09GE12: Analisar a importância da geopolítica e das relações de poder na organização do espaço geográfico global, regional e local.


Etapa 1: Ativação do Conhecimento Prévio e Mapa Mental (1ª Aula)

Objetivo: Trazer à tona o que os alunos já sabem sobre o caso Braskem e organizar essas informações de forma visual e colaborativa.

  1. Início da Conversa (5-10 minutos):

  • Introdução: "Alguém já ouviu falar do que aconteceu em Maceió, com a Braskem? O que vocês sabem sobre isso?"

  • Anote as palavras-chave que surgirem na lousa.

  1. Construção do Mapa Mental Colaborativo (20-25 minutos):

  • No centro da lousa, escreva o tema principal: "CASO BRASKEM - MACEIÓ".

  • Peça aos alunos para sugerirem ideias e informações que se conectem a esse tema. Desenhe "galhos" a partir do centro e escreva as palavras-chave que eles disserem.

  • Sugestões de "galhos" e perguntas orientadoras:

  • O que aconteceu? (Afundamento de bairros, rachaduras nas casas, evacuação)

  • Quem causou? (Braskem, extração de sal-gema)

  • Quem foi afetado? (Famílias, moradores, bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro)

  • Quais as consequências? (Perda de casas, medo, mudança de vida, injustiça)

  • O que isso tem a ver com Geografia? (Ocupação do espaço, transformação do território, poder econômico)

  • Estimule a participação de todos, mesmo que com poucas palavras. O importante é que se sintam parte da construção.

  1. Fechamento da Etapa (10-15 minutos):

  • Revise o mapa mental com a turma.

  • Pergunte: "Percebem como o que aconteceu em Maceió não é só sobre a terra que afunda? É sobre pessoas, empresas, decisões e o lugar onde a gente vive. Isso é geografia de verdade!"

Etapa 2: A Geografia como Saber Estratégico (2ª Aula)

Objetivo: Introduzir as ideias de Yves Lacoste de forma simplificada, conectando-as ao caso Braskem e à vida dos alunos.

  1. Retomada (5 minutos):

  • Comece revisando o mapa mental da aula anterior.

  • Diga: "Hoje, vamos entender como um geógrafo chamado Yves Lacoste nos ajuda a pensar sobre o que vimos no caso Braskem."

  1. Apresentação dos Conceitos de Lacoste (25-30 minutos):

  • "A Geografia dos Professores" vs. "Geografia Estratégica":

  • Explique que Lacoste criticava a geografia que era só "decorar nomes de rios e montanhas" (a "geografia dos professores"). Diga: "Ele achava que essa geografia era 'maçante' e não mostrava o poder que a geografia tem."

  • Apresente a ideia de "geografia estratégica": "Para Lacoste, a geografia é um saber estratégico. Isso significa que ela é um conhecimento muito importante e poderoso, que pode ser usado para planejar e controlar o território, e até para fazer a guerra ou dominar as pessoas" (p. 23).

  • O "Aménagement" do Território:

  • Explique o termo de forma simples: "Lacoste fala do 'aménagement' do território. Pensem nisso como o 'arranjo' ou a 'organização' de um lugar. Mas ele diz que esse arranjo não é só para dar lucro. É também para organizar o espaço de forma estratégica, para que quem está no poder possa controlar as pessoas ou os recursos" (p. 30).

  • Conexão com Braskem: "No caso da Braskem, o 'arranjo' do território foi feito para quê? Para o lucro da empresa, explorando o sal-gema, mesmo que isso significasse destruir a vida de milhares de famílias. O poder financeiro da Braskem 'arranjou' o espaço para seus próprios interesses, sem se importar com a moralidade."

  1. Discussão e Perguntas (10-15 minutos):

  • "Vocês acham que a geografia é só para decorar? Ou ela nos ajuda a entender quem manda e por que as coisas acontecem nos lugares?"

  • "Como o caso Braskem mostra que a geografia é um saber estratégico e perigoso nas mãos de quem tem poder?"

Etapa 3: Atividade Prática e Conclusão (3ª Aula)

Objetivo: Permitir que os alunos apliquem os conceitos de Lacoste e expressem sua compreensão sobre as relações entre geografia, poder e vida real.

  1. Introdução à Atividade (10 minutos):

  • Diga: "Agora, vamos colocar a 'geografia estratégica' na prática, pensando no caso de Maceió. Vocês vão se colocar no lugar de alguém que viveu essa situação."

  • Apresente a atividade: "Minha Geografia, Minha História: Carta de um Morador Afetado".

  1. Instruções da Atividade (30 minutos):

  • Individual ou em Duplas: Peça para os alunos escreverem uma carta ou um relato curto, imaginando ser um morador que foi despejado de sua casa nos bairros afetados pela Braskem.

  • O que a carta deve conter (perguntas orientadoras):

  • Como era o seu bairro antes do desastre? (Descreva a "geografia" do seu lugar, seus sentimentos por ele).

  • O que você sentiu quando descobriu que tinha que sair?

  • Para onde você foi? Como é a sua nova "geografia"? (Como sua vida mudou?)

  • O que você pensa sobre o poder da empresa Braskem nesse processo? (Conecte com a ideia de poder financeiro e moralidade).

  • O que você acha que a geografia deveria ensinar sobre casos como o seu? (Importância da análise crítica).

  • Reforce que não precisa ser um texto perfeito, mas sim a expressão do que sentem e entenderam.

  1. Compartilhamento e Conclusão (10 minutos):

  • Convide alguns alunos a lerem suas cartas ou relatos para a turma.

  • Fechamento Final:

  • Retome a ideia de Lacoste: "A análise crítica feita por geógrafos e a discussão levada para as salas de aula assumem uma importância essencial" (p. 153).

  • Conclua: "O caso Braskem nos mostra que a geografia é só sobre mapas, mas sobre a vida das pessoas, o poder e a justiça. Entender isso nos ajuda a não ficar 'de mãos atadas' e a lutar por um mundo mais justo, onde a soberania das pessoas e dos lugares seja respeitada."

  • "É por meio de uma educação geográfica que o cidadão se capacita para compreender que sua 'localidade' não é um compartimento isolado, mas faz parte de 'conjuntos espaciais' que se relacionam em escalas global e nacional (p. 181-182). Somente com essa consciência e com a capacidade de interpretar as 'novas formas' de dominação, é que a população pode aspirar a uma verdadeira soberania e se libertar das amarras impostas por aqueles que manipulam o território para seus próprios fins."



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